S34-02

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A formação da identidade e os reflexos no jornalismo: em busca de ressignificação

Na formação da identidade, pessoal e coletiva, toda história da humanidade fez com que começássemos a atribuir valorações, de acordo características biológicas ou sociais, como cor de pele ou local de nascimento. Essa compreensão afeta nosso olhar sobre nós mesmos e também sobre os outros: ora considerando-o como superior, ora inferior, de acordo com construções culturais. As consequências são psicológicas e constituem o imaginário de cada indivíduo e também os meios de comunicação, cujos profissionais não estão imunes a tais construções, que consideramos como desumanização.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi escrita em 1948, após duas Guerras mundiais em que milhares de seres humanos, comparados a ratos, foram exterminados. Depois de séculos de escravidão em que homens, diferentes apenas pela cor de pele, foram capturados como animais selvagens e submetidos a trabalhos forçados.

Partindo dessa compreensão, consideramos que as relações sociais estão desumanizadas, e que, enquanto parte de um sistema social, o jornalismo pode refletir tais características, sobretudo diante das características da modernidade, com os novos meios de produção, que exigem rapidez na divulgação de informações, mas nem sempre com o processo de apuração necessário.  

Como desumanização entendemos qualquer tratamento que considere o “outro” como inferior ou superior, ou seja, não o trate como igual, “[…] sem distinção  de qualquer espécie, seja  de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”, como detalha o Artigo 2 da DUDH.

Consideramos os diversos aspectos envolvidos na dinâmica social e também nos processos jornalísticos. Paradoxalmente, temos novas tecnologias, avanços na área da ciência e também do ponto de vista da justiça, com órgãos institucionais que defendem injustiças, mas ao mesmo tempo, uma reprodução quase desenfreada de pensamentos que pareciam ter sido superados: mensagens de ódio nas redes sociais, brigas por diferenças em relação à religião, cor de pele, classe social e até mesmo ao time de futebol. Crimes contra mulheres. As distorções em relação ao ‘outro’ seguem e ainda ganham holofotes e microfones na internet, pela facilidade de reprodução e disseminação. Alguns desses casos chegam a ser noticiados como atrocidades. Mas e quando quem comete tais equívocos são os próprios jornalistas?


Os procedimentos metodológicos partem de um levantamento bibliográfico que nos ajuda a compreender este fenômeno, causas e consequências, e inclui análises de reportagens que ilustram como a desumanização está refletida no jornalismo.  

Consideramos que a consciência da responsabilidade social e racionalizando tais aspectos da formação do imaginário, é possível chegarmos a mudanças individuais, em cada profissional. Além disso, consideramos o jornalismo como forma de conhecimento, com potencial educador. Sendo assim, as transformações individuais, refletidas em qualidade jornalística, podem acarretar mudanças coletivas.   

Palavras-chave: desumanização; jornalismo; imaginário; identidade; cultura; direitos humanos

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Gessica Valentini

ORGANIZA

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