S32-02

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Lésbicas no cinema: representatividade e estereótipos

Representatividade é a presença política de um grupo – raça, classe, nação, gênero – nos mais diversos espaços. É uma forma de dar visibilidade a pautas específicas, e oferecer a oportunidade a um público diverso (espectador, no caso do cinema) de sentir-se parte integrante daquele universo. Sobre a presença de mulheres no cinema, pensa-se não somente o número de personagens mulheres nas narrativas, mas também o número de diretoras de filmes, bem como o tipo de sua representação: padrões, estereótipos, protagonismo, falas, tempo destas falas, faixa etária, corpos.

O estereótipo é uma generalização de questões particulares e não deveria definir a totalidade de membros de uma comunidade. Geralmente ocorre onde existem desigualdades de poder, e dirigidos a grupos subordinados ou excluídos, é uma conexão entre a representação, a diferença e o poder.  O prejuízo é o valor que é imputado a cada característica estereotipada e as consequências da difusão destas imagens pelo grupo dominante.

O cinema tem uma participação ambígua no universo lésbico: por um lado, a presença de personagens lésbicas traz representatividade e naturaliza a diversidade de orientações sexuais, por outro, pode reforçar estereótipos e internalizar, no espectador, comportamentos ou outros padrões generalizantes.

Algumas séries recentes de live-action e de animação do Ocidente abordam a temática lésbica: The L Word, Sense8, Orange is The New Black, The Simpsons, Steven Universe, Adventure’s Time, Legend of Korra, The Loud House, Clarence – o otimista.  Neste trabalho, algumas séries são brevemente analisadas e comparadas em categorias que incluem os temas discutidos. 

Os discursos explícitos e implícitos nestas representações, nos diálogos, no roteiro das narrativas e na forma como diretores e produtores decidem sobre estas personagens é um espaço de muitas discussões e interpretações. Estas personagens emergem de espaços menores de protagonismo para se colocarem em evidência por um momento/episódio, para expor seus movimentos de ruptura da ordem esperada, do imperativo, do hegemônico nos filmes de animação. Finalmente, considera-se a responsabilidade social de designers, produtoras, diretoras, animadoras e roteiristas, na forma como representam suas personagens, no uso de seu poder e lugar de fala neste espaço do cinema, como tecnologia que constrói socialmente gêneros e sexualidades a partir de imagens, discursos, representações e afetos. Por mais amores livres, lésbicos e políticos nas telas. 

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silmara takazaki UFSC - UTFPR - UCM Brasil

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