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Os novos perfis profissionais e as novas rotinas produtivas no telejornalismo: o caso da cobertura independente da Copa do Mundo da Rússia e seus intercursos com o mercado brasileiro

O jornalismo, mesmo visto como uma profissão consolidada, está vivenciando nos últimos tempos uma grande revolução na maneira de produzir os seus conteúdos, assim como nas atividades que os profissionais precisam desenvolver para concretizar esta produção jornalística. Nesta reformulação do processo produtivo, o jornalista (como figura quase única) tem assumido o papel principal das etapas de uma reportagem.

Embora este modelo esteja ganhando espaço nos veículos midiáticos, muitas pesquisas colocam que essa forma de produção proporciona uma precarização no trabalho do jornalista, contribuindo com a diminuição do número de profissionais nas empresas de comunicação. Ao passo em que, em algumas ocasiões, o jornalista deixa as redações por causa dessa redução, ele abandona a figura de empregado e pode se tornar empreendedor (ou até mesmo empregador), tendo a possibilidade de produzir materiais de forma independente.

Por ser de conhecimento a existência de uma demanda de compra de conteúdo telejornalístico por parte das empresas de comunicação brasileiras, a partir da contratação de jornalistas que acumulam funções que anteriormente eram realizadas separadamente por diferentes profissionais, o presente artigo tem como objetivo discutir as novas rotinas produtivas no telejornalismo produzidas por projetos de coberturas independentes e seus intercursos com o mercado brasileiro.

Para tanto, a investigação teve como estudo de caso um projeto independente produzido pelos jornalistas brasileiros Michele Wadja e Pedro Canísio para a cobertura da Copa do Mundo de Futebol Masculino, realizada na Rússia em 2018, com reportagens veiculadas em diferentes cidades brasileiras.

O projeto adquirido por quatro emissoras de televisão apresentava diversos modelos jornalísticos, que alternavam desde participações ao vivo diárias à reportagens com periodicidades variáveis. Com toda sua produção personificada em um profissional ou no máximo em dupla, tanto para a gravação dos conteúdos quanto para as transmissões em tempo real, os jornalistas utilizaram apenas seus celulares pessoais. Para o compartilhamento do material eram utilizadas diferentes plataformas como WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook, tendo como suporte redes de dados móveis e wi-fi.

A proposta desenvolvida por Michele Wadja e Pedro Canísio é um exemplo das possibilidades de negócios no mercado telejornalístico, o qual nas últimas décadas enfrentou mudanças estruturais que resultaram em novas configurações do fazer jornalístico, redesenhado pelas novas TICs e pelo novo perfil profissional desejado pelas empresas de comunicação.

Palavras-chave: telejornalismo, rotinas produtivas, fazer jornalístico, mercado brasileiro.

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Raniery Lacerda Universidade Federal da Paraíba Brasil
Fabiana Siqueira Universidade Federal da Paraíba Brasil
Zulmira Nóbrega Universidade Federal da Paraíba Brasil

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