S33-02

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The Simpsons e representatividade queer

Os filmes de animação surgiram no final do século XIX, junto com a invenção da fotografia e do cinema. Rapidamente grandes produtoras de filmes começaram a se formar, visto a popularização do cinema, e em seguida, da TV – e esta demanda nunca parou de crescer. Mas qual conteúdo será veiculado? Como serão os personagens? Quem são, e como serão representados? E, mais importante: quem tem o poder de decidir sobre isto? Neste trabalho, parte-se da premissa que os filmes não apenas refletem as relações sociais, mas também produzem novas ficções e padrões. Fundamenta-se nos conceitos da teoria queer e da tecnologia de gênero de Teresa de Lauretis e das ideias de representatividade e estereótipos de Shohat e Stam. 

A presença de personagens LGBT+ nas séries de desenhos animados ocidentais é recente, majoritariamente a partir dos anos 2016: Steven Universe, Adventure’s Time, Legend of Korra, The Loud House, Clarence – o otimista, entre outros.  A série The Simpsons foi bastante pioneira em tratar do casamento gay, com a ‘saída do armário’ de uma personagem lésbica em 2005; e, mais tarde (2015) a presença de mais um personagem gay; além da citação da bissexualidade e não-monogamia de uma personagem importante. 

Alguns episódios e personagens desta série foram analisados de forma etnográfica, com uma metodologia prioritariamente qualitativa, a partir de algumas categorias (estereótipos, saída do armário, testes de Bechdel e Vito Russo, etc), considerando-se o tipo de representação dos personagens, os discursos implícitos nos diálogos, o potencial político e o impacto social da abordagem. No resultado deste ensaio, perceberam-se a homoafetividade tratada de forma natural e justa, ainda que com alguns estereótipos, heteronormatividades e papéis de gênero, e algumas diferenças entre os discursos e condução dos roteiros dos episódios de 2005 e 2015.

Enfim, conclui-se que pode haver um limite – ou um espaço amplo e complexo – na análise etnográfica de filmes de animação, visto que a personagem destes filmes é a representação já refletida, concebida e desenhada a muitas mãos; e muitas vezes a narrativa gráfica exige alguns exageros para sua decodificação. No entanto, a presença de personagens LGBT+ oferece um espaço de responsabilidade social com a diversidade representada, visto sua influência no imaginário do espectador, e rompe ordens e normas hegemônicas, colocando em evidência outras possibilidades reais de ser e estar no mundo.

Palavras-chave: Série, Animação, Representatividade, Estereótipos, Queer, LGBT.

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silmara takazaki UFSC - UTFPR - UCM Brasil

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