S32-05

S32-05

Uma análise da Série “Coisa mais linda”: limites e potencialidades da representação contemporânea da vida das mulheres negras e faveladas

O presente trabalho busca analisar a primeira temporada da Série brasileira produzida pela Netflix,“Coisa mais linda”, para compreender os limites e as potencialidades de seu conteúdo para a construção da representatividade e da organização política das mulheres negras brasileiras hoje. A produção audiovisual, que ocorre predominantemente no Rio de Janeiro, no período dos “anos dourados”, apresenta a personagem Adélia, mulher negra, favelada e com ambições feministas ligadas a sua raça, classe e gênero, que consegue mudar sua vida após receber uma oportunidade de trabalho oferecida por uma mulher branca, de classe alta e com ambições feministas peculiares à sua condição social. Para mensurar o alcance da contribuição política da série, tendo como aporte teórico-crítico teorias feministas de Lélia Gonzalez, bell hooks e Angela Davis, propõem-se uma análise comparativa do conteúdo audiovisual em relação àquele presente na obra autobiográfica “Quarto de despejo” de Carolina de Jesus – que descreve as condições de vida das mulheres faveladas em São Paulo, também na década de 1950. Embora tais obras retratem a vida na favela em cidades diferentes, a comparaçao se justifica porque tanto naquele tempo quanto hoje as condições precárias e as violências sofridas pelas mulheres negras faveladas seguem sendo semelhantes. A mídia massiva, recentemente, tem ampliado a inserção de afrodescendentes em suas produções audiovisuais e isso é um dado relevante porque já é conhecido o seu papel determinante na construção da identidade e da representatividade da população negra. Mas, infelizmente, ainda não se desenvolveram todas as suas potencialidades porque, muitas vezes, as imagens difundidas reforçam estereótipos negativos. Nas obras produzidas para o grande público, ainda é possível perceber a dificuldade da mídia brasileira em retratar a subalternidade real das mulheres negras e caminhos factíveis para outras possibilidades de vida para elas e para os seus. Em outras palavras, quando há representatividade negra nas obras audiovisuais ou se recorre aos estereótipos historicamente atribuídos à população negra, que reforçam o racismo estrutural da sociedade brasileira, ou se desenvolve uma narrativa de mistificação na construção ficcional de gênero e de raça, apresentando imagens esteticamente higienizadas ou romantizas, para a transformação social. Em suma, o esforço desse trabalho será refletir sobre como obras audiovisuais contemporâneas poderiam contribuir para a formação política, a construção de estratégias de luta e o desenvolvimento de caminhos  histórico-culturais mais críticos para a construção de imagens que permitam uma representatividade mais fidedigna e a criação de narrativas mais potentes de superação da subalternidade.

Palavras-chave: Mídia; Subalternos; Feminismo (negro); Representatividade; Filosofia política; Narrativas

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Gigliola Mendes Universidade de Brasilia Brasil

ORGANIZA

COLABORA